segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A liberdade do Amor

As vezes penso ser cruel comigo, que é pra justificar a sorte de não ser amada por ninguém... Quem faria isso, neh? A louca!
 Amar requer força, tempo, dedicação, respeito, abrir mão, tanto, que prefiro parar de contar. Paro mesmo, paro e penso na possibilidade do não amor, da negação da possibilidade do outro em poder querer ou não.
Porque faria isso? Querer tão bem, que você dedica seu tempo tão precioso, que podia está estudando, dormindo, aprendendo uma língua nova, uma teoria incrível, por ter simplesmente a sorte de um olhar brilhante, de palavras carinhosas, de beijos incríveis até dormir de conchinha ou o simples pensar em alguém, se colocando distraída na possibilidade de tê-lo nos mais banais momentos.
Sinceramente, que peso isso atribui a vida???
Ai ai ai, sou bombardeada diariamente pela a destreza de ter a "sorte de um amor tranquilo", mas meu corpo já está tão cheio de "nãos". Armaduras que enferrujam com o tempo e que se você não refletir em cima disso, ao ponto de ter a consciência de ter me apoiado em justificativas do não amar, seja por: estudos, trabalho, tempo, dinheiro, família, sociedade, moral, costumes, ego...
As vezes me considero tão incrédula do amor, mas no outro dia estou metendo a cabeça na parede porque reguei meu jardim de tão bons momentos com Ele, que eu não sei mais o porque de me afortunar escrevendo, pensando, desejando, submetendo, apostando na roleta russa do seu sim.
Quando passo a pensar de verdade, quero profundamente esquece-lo. Acho tão óbvio o que acontece em seguida. "É pior!"
A busca pelo não ter, comina na possibilidade de está cada vez mais presente a angustia de sua ausência. E então sofro por antecipação... O medo de amar se torna ainda maior, do que a possibilidade do " e se".
Faz alguns dias que tenho me ocupado nessa negociação exacerbada com o meu coração, mas hoje, caminhando à beira mar, refleti a respeito dos prós e contras que tem se levantado... Respirei fundo e ri de mim mesma.
-"Vou filosofar mesmo em cima disso?"
Insisti... Estou certa que o amor não está na privação, na peleja, na negociação, na dedicação, na violação, no medo, na recusa, na ansiedade, na necessidade de troca. Mas sim, na distração.
Me coloquei calada, ri dos meus medos e parti. Parecia ter deixado ali a certeza de poder ou não errar por querer ter alguém... Alguns passos naquela areia fofa, até que me deparei com o vazio de que pudesse nem querer ninguém de fato: Não sei porque me prendo a tantos quereres que não são os meus... Moral, ética, religião, loucura, lucidez, o outro...
O que é o outro?
Segundo Lacan, quando ele afirma "o desejo é o desejo do Outro". Quer dizer que o desejo de ser amada, ou qualquer desejo que eu tenha, já existia antes mesmo de eu existir. Logo, se tenho a sensação de me sentir ansiosa em ser amada, quer dizer que o amor é uma informação que me bombardeia desde sempre e que pode ser fruto de uma simples ideologia.
Logo, o amor é uma construção social.
Pohammm, que cruel!
Mas então onde fica a nossa essência e onde guardo aquela caixinha de emoções fortes? O amor e a essência, tem alguma relação?
Mas e quando a ideia do livre arbítrio .... Será que temos de fato essa escolha, amar ou não?
Como ter a consciência de si? No outro? A ponto de ama-lo tanto, que nos perdemos de nós mesmo? E quando nos perdemos de nós mesmos, o outro perde o encanto, porque não se agrada mais como é visto pelo olhar daquele, buscando se ver de uma forma ainda mais bela por um outro? Que vazio!
Tá, não sei se os filósofos souberam o que é amor... Mas com certeza algumas pessoas negam amar, pra não sofrer, sofrendo desde então.
A destreza de amar, deve requerer tanto jogo, que para amar, parece não caber aos bobos.
O que me leva a refletir que nenhum bom poeta, deve ter sido tão bem amado...
Falando em bobo... Hoje, um menino que se apaixonou por mim na adolescência me adicionou ao face. Não entendia porque faria, se estava tão bem casado e mesmo assim, em algum momento de sua vida, me fez pensar que nunca me esqueceria, de tão bobo que se apresentava, a ponto de ainda hoje continuar parecendo querer saber mais de mim.
Pensei... Será que ele me amou ou me ama, como já ouvi tantas declarações incríveis dele e de tantos outros?! Fugi de quase todas denominações, como se não estivesse apita a amar.
Sentir é  maior que racionalizar? Racionaliza primeiro, depois se sente?
Ai a sorte da distração...
Não sei explicar, só sei que sinto prazer ao pensar que posso amar alguém, mesmo duvidando de sua real existência.
Por fim, decido a sorte de não pensar em ter definição, me sinto livre assim, capaz de fato de amar, o não se enquadrar aquilo que espero de mim, ou a sociedade determina. Mas pelo simples fato de existir e ser permissível errar... A implenitude me encanta e comparo ao amor, como se vibrassem na mesma intensidade. Sentimentos rebeldes.
 Chego em casa, tomo aquele açaí, como quem me presenteio e brindo-me: à liberdade do amor!

 





 

3 comentários:

  1. Bela reflexão Yluska. Já que você tocou no assunto livre arbítrio e de termos a escolha de amar ou não, gostaria de te fazer uma pergunta para a qual eu já pensei em uma resposta em um determinado momento da minha vida, mas gostaria de ouvir a sua: Se existe o livre arbítrio, você acredita que seu destino possa estar traçado por Deus (ou seja qual for a força superior que se acredite)? Mais especificamente, focando na sua reflexão, você acredita que alguém nasceu para não amar ninguém, mesmo que lá no fundo exista aquele desejo de encontrar alguém para compartilhar os seus melhores momentos? (depois que você responder eu digo minha resposta)

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    1. Obrigada Dienert. Vou tentar ser bem específica.
      Levantando a questão do livre arbítrio e Deus, sem sair do foco do texto "liberdade do amor"... Olha, estou numa fase que sinceramente, me coloco a disposição de indagar se o sujeito, o que implica as suas emoções, seja fruto do desejo, proposto por kant (citado acima)... Dai, escolhi concluir o texto de forma leve, porque não descreio da possibilidade do amor (no caso, destinado), mas também acho que minha natureza não crer mais nessa possibilidade de encontrar um "amor perfeito", como é pregado. Hoje me sinto mais próxima do existencialismo, apesar de ser de formação cristã, no ponto de vista que creio mais naquilo que externalizamos, do que propriamente, aquilo que está destinado. Deus é outra coisa, pra mim, ele está em TUDO, inclusive nos nossos erros, a questão do Yin - Yang. Então, se eu me destino amar ou não, de fato, eu tenho esse livre arbítrio. O que não me impede de sofrer, nos dois caminhos...
      Daí, o que nos resta refletir, e é essa sua questão. Se uma pessoa que nasceu pra não amar, mesmo tendo o desejo em si, da busca do amor, compartilhar ou não? É a questão da escolha, acho que uma pessoa que não nasceu para amar, se há desejo... Como afirmar que o desejo é dela de fato ou uma construção social? Eu gosto de pensar o não desejo, entende? A questão do amor, nesse caso, do desapego, do não desejo, estaria mais próximo a essência.
      E se, que eu acho que não faz parte desse mudo, um ser humano nasce destinado a não amar. Ele deveria começar a aprender. A exercitar se permitir errar. Porque, mesmo que seja um tema polêmico e pareça bobo... Qual o sentido da vida, senão viver? Senão errar, senão sofrer, perder pra saber ganhar...
      Espero ter respondido =)

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    2. Perfeito, você disse com outras palavras a mesma coisa que penso. Em um âmbito mais geral quanto à coexistência do livre arbítrio e do destino traçado, a minha explicação está no fato de que Deus, além de onisciente, onipotente e onipresente, seja atemporal. O que explica Ele saber de todas as coisas antes que elas aconteçam. Então seria como se nós nascêssemos com todas as nossas decisões da vida já tomadas perante Deus, mas por nós mesmos e não por Ele.
      Então, por isso, eu acredito que se eu vou amar ou não alguém na vida, essa decisão é completamente minha, seja qual for o esforço que eu tenha que eu tenha fazer pra isso, porque é isso que eu quero. Mas seja qual for a decisão, Deus já sabia qual era, antes de eu nascer.
      Espero ter contribuído.

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